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sábado, 31 de março de 2012

BUSCANDO RAÍZES



A história é escrita pelos vencedores. Sempre que duas culturas colidem, a força dominante é quem fica para registrar os acontecimentos do passado para as futuras gerações. Aqueles que são derrotados deixam para trás contos populares e mitos, mas suas formas de vida são perdidas na macha do tempo.
Quando estamos buscando as raízes da bruxaria, devemos ter sempre em mente que os praticantes da arte raramente foram os vitoriosos nos últimos dois mil anos, e por essa razão nossa história comum fica distorcida. Nós podemos recuperar e reconstruir, mas jamais saberemos da verdade. Não existe uma história definitiva aceita por todos, o melhor é aceitar a diversidade de opiniões e visões pesquisadas. A bruxaria mudará ao passo que o bruxo cresce e evolui. O melhor é encarar tais trabalhos como histórias poéticas, e não trabalhos literários e sentindo-se inspirado pelas palavras daqueles que existiram antes de você.
A história da bruxaria é uma história cheia de vida. Fazemos parte dela. Escrevendo cada momento mais um capítulo. Nossos filhos irão dar continuação a essa história, e com esperança ela jamais será enterrada de forma que jamais uma vez seja perdida no tempo.

A IDADE DA PEDRA

As raízes da bruxaria se estenderam bem a fundo para dentro da história desde a era Paleolítica (A Idade da Pedra). Nessa época as sociedades humanas eram formadas por caçadores, nômades que continuavam buscando sua fonte de alimento. Os homens praticavam tais atividades enquanto as mulheres ficavam em suas tribos, cuidando da família. As mulheres eram consideradas sangue da vida das tribos e eram elas que nutriam seus filhos. Os homens eram mais “resistentes” em termo de sobrevivência, já que um único homem era capaz de engravidar várias mulheres.
Muitas dessas sociedades eram matriarcais, o que significa que eram conduzidas pelas mulheres.
Religiosamente, as pinturas nas cavernas indicam um nível de crença espiritual. Viviam o divino da natureza, animados pelos espíritos da natureza e pelos deuses. A Terra era a mãe da vida, aquela que presenteava a todos com a vegetação necessária para a sobrevivência das pessoas. O povo da Idade da Pedra era Politeísta, e acreditavam em mais de um deus.
E foi no meio desta Natureza que passaram à descobrir e desenvolver suas técnicas de cura, conheciam as ervas e outras habilidades. Como não existiam médicos naquela época eles mesmos desenvolvendo seus talentos psíquicos, tornavam-se os sábios das tribos. Realizavam partos, cerimônias e celebrações.
Sempre que alguém que honra tanto aspectos divinos da grande Mãe como os do Pai, reverencia a natureza e dar formas à forças do mundo para a cura e para a mudança, está praticando a bruxaria.
A ERA DA MUDANÇA x A EUROPA PAGÃ
Na visão de Christopher P. a bruxaria tem predominado até o surgimento das religiões do tempo de Abraão e depois dessa época em diante a cultura da deusa perdeu  sua base de sustentação. A nova era a neolítica, os padrões do tempo mudaram, o alimento se tornou mais disponível, as tribos nômades puderam se assentar e aprender as artes da agricultura. Artes com barros e outras se expandiram, monumentos foram erguidos e, com o advento da escrita, as histórias passaram a ser registradas.
Enquanto as civilizações antigas estavam florescendo as tribos da Europa estavam desenvolvendo seus próprios costumes e magias. Uma parte do povo Celta estava migrando para o Ocidente e outra para o Oriente para povoar a Índia.
Os druidas foram os Líderes religiosos dos Celtas. Eles realizavam cerimônias, aconselhavam reis, e conduziam curas. Eram temidos e respeitados, vistos não como deuses mas como os sagrados intérpretes da vontade dos deuses.
Os druidas não possuem documentações que tenham sobrevivido por escrito. Tinham um conhecimento profundo de magia, medicina, poesia, música, história, mitologia, astrologia e astronomia, mas não colocavam seus conhecimentos no papel. A escrita era vista como um sacrilégio. Escrever alguma coisa significava que o assunto era menor, sem importância não valia a pena ser memorizado.
Com a Ascensão do Cristianismo muito dos druidas foram eliminados enquanto poucos se esconderam no meio da civilização, abandonando o manto de sacerdotes e sacerdotisas se tornando curandeiros e oferecendo seus serviços quando podiam.
Os Celtas e estabeleceram na Gália, onde se localiza a França hoje em dia e alguns migraram para as ilhas Britânicas.




A ASCENSÃO DO CRISTANISMO X O SAGRADO IMPÉRIO ROMANO E O TEMPO DAS FOGUEIRAS

Durante aquele tempo uma nova religião formou raízes, o Cristianismo. Baseava-se nos ensinamentos de Jesus de Nazaré. Ele pregava uma fé de amor incondicional enquanto realizava milagres de cura. Após a morte de Jesus a nova religião floresceu com seus ensinamentos baseada nos testamentos dos apóstolos.
No início a reencarnação, a cura e o trabalho de transe eram parte da religião. Mas tarde os ensinamentos que eram gnósticos foram codificados dentro de uma igreja, com um dogma escrito e com muito menos misticismo pessoal.
Ironicamente, os antigos cristãos eram perseguidos pelo Império Romano ocidental, dando-nos a imagem popular dos cristãos sendo jogados aos leões. Os romanos acreditavam que eles eram canibais, que comiam carne e bebiam sangue.
Logo o cristianismo se tornou a religião oficial do Império. Igrejas foram construídas no lugar dos templos dos antigos deuses pagãos. As práticas pagãs eram sistematicamente denunciadas e contrárias à lei. Os deuses com chifres dos celtas, conhecidos como Cernunnos, Herne e Pã foram fundidos com os mitos hebraicos de Lúcifer, o anjo malvado, e Satã, o provador da fé. Juntos eles se tornaram o demônio, a fonte do mal.
Os rituais pagãos foram absorvido pelo calendário cristão para acelerar a conversão. 
O poder da Igreja era ameaçador para o Império Bizantino ocidental. Ela procurava os reis em busca de proteção e por intermédio dos recém-convertidos pagãos construíram um império cristão. Já outros pagãos mantiveram suas práticas particulares em segredo no interior do país.
Agora chegamos ao holocausto das bruxas a Era das fogueiras. O termo dado pelas bruxas modernas para o período que se estendeu pelos julgamentos e execução das bruxas na Europa. A frase se refere ao método popular por meio do fogo ateado em estacas, embora o enforcamento e o afogamento também fossem comuns.
Desde o século XV, várias pessoas, geralmente inimigas da igreja ou de figuras políticas, eram acusadas de bruxaria, julgadas e sentenciadas à morte. Os julgamentos não terminaram até o século XVIII e o total número de mortos chegou aproximadamente a 200.000 pessoas inocentes.
As mulheres sábias, as parteiras estavam sempre entre essas pessoas, por que desafiavam o poder da comunidade médica vigente. Se você cura e não pratica a medicina, então tem de estar trabalhando para o demônio.
A histeria aumentava naquele período por causa de problemas econômicos, condições sociais ruins, aumento de doenças e ameaças contra o poder da igreja, esta por ser a culpada por essas condições precisava de um bode expiatório e colocou a culpa desses problemas no poder das bruxas do mal. Homossexuais e judeus juntamente com as bruxas também eram perseguidos e torturados já que estes eram seguidores da Cabala, um sistema de misticismo e magia.
Em Salem, Massachusetts, uma histeria conduzida pelas acusações de algumas adolescentes fascinadas pelo oculto levou à morte 36 pessoas e à prisão mais de 150 homens e mulheres daquela comunidade puritana.
Em 1735, embora a população em geral ainda visse as bruxas como monstro foi-se amenizando e com o tempo e em vários lugares os sábios e as pessoas inteligentes em silêncio começaram a trabalhar novamente como curandeiros. Em 1850, vários movimentos espiritualistas assolaram o mundo ocidental.
O renascimento da bruxaria floresceu nos anos 1960 e 1970 e em 72 a bruxaria ganhou a posição de uma religião legalmente reconhecida na América e Europa, sendo protegida pelas primeira e décima quarta Emendas dos Estados Unidos. Sacerdotes e sacerdotisas ordenados desfrutam dos mesmos direitos do Clérigo tradicional.
A Magia popular tem sido praticada desde então. No cristianismo  A Deusa sobreviveu na forma da Mãe Maria. Mas ninguém jamais seria maluco de usar o título de bruxa, não é mesmo?

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